sexta-feira, 30 de maio de 2008

A rua

" A rua nasce, como o homem, do soluço, do espasmo. Há suor humano na argamassa do seu calçamento. Cada casa que se ergue é feita do esforço exaustivo de muitos seres, e haveis de ter visto pedreiros e canteiros, ao erguer as pedras para as frontarias, cantarem, cobertos de suor, uma melopéia tão triste que pelo ar parece um arquejante soluço. A rua sente nos nervos essa miséria de criação e por isso é a mais igualitária, a mais socialista, a mais niveladora das obras humanas. A rua criou todas as blagues e todos os lugares-comuns (...)".

Isso, baby, é João do Rio, em " A alma encantadora das ruas". Ponto de partida e de chegada deste blog que mais parece uma blague.

não

não tem ninguém aqui, pelo menos agora. estou de férias de mim mesma e da cidade. já são 3 dias dentro de casa, literalmente sem botar o nariz na rua. não quero notícias a não ser as produzidas por mim (dessas não posso fugir). estou de greve, de licença, de férias, de sacanagem. já maldisse o tempo, como eu gosto de fazer. já me publiquei por aí, tô a fim de me publicar aqui também. me tornar assim, modernamente, disponível para apreciação pública. não leiam ou leiam, não faz a mínima diferença. só vim aqui arrotar esse descontentamento e extirpar essa pereba intelectual. só vim aqui cuspir na sua cara que ninguém agrada o tempo todo. nem eu nem você. só vim te espinafrar, dizer que você vale tanto como público como eu enquanto atração principal do show. chega de coisinhas bonitas, está chovendo e eu quero que tudo vá tomar no cú. aí você vai dizer que eu estava nervosinha, que eu devia fazer ioga. nada que eu diga ou faça retardará muito a grande verdade que se aproxima.

sábado, 3 de maio de 2008

Globalitarismo.

Estou tentando vender o peixe do filme. Mas tá difícil criar uma frase de efeito. Vamos pela sinceridade. O trailer dura 1 minuto e 57 segundos. Rapidinho. Se você se interessar, veja o filme.
Milton Santos pode funcionar como um nome brilhante num painel luminoso. Talvez ainda Silvio Tendler. Desde que você assista ao filme, ou pelo menos ao trailer, já está valendo. É o novo paradigma que assola nossas vidas e nem nos faz sentir.

http://www.youtube.com/watch?v=IzTjR_X47pc

Leia também: A corrosão do caráter, de Richard Sennett e Globalização: as consequências humanas, de Zigmunt Baumann. Ou continue lendo O GLOBO, a Veja, mas tente fazê-lo de outra perspectiva.

nada

é tanta coisa na cabeça que eu não quero nada. vamos flexiblizar,vamos reintentar, vamos tornar proativo. ah, vá se fuder... me dá vontade de dizer. epa! sou eu mesma quem estou dizendo isso. escrevo essa viagem faltando quinze pras 2 da matina. na baía de guanabara um saveiro-festeiro toca funk no maior volume, estou ouvindo aqui de casa. meus pensamentos ficam ainda mais confusos, fico ainda mais agitada, não consigo parar de me comunicar. fiquei quase 4 horas no telefone, falando sem parar. eu não relaxo. bloqueio mental de tanto pensar. e aí a gente fica mais frio. no rio de janeiro, 18 graus.
amplitude térmica alta... é o outono carioca. não vejo muitas folhas caindo... são mais as idéias, derramando-se aos borbotões, sendo desperdiçadas no vento da falta dele. hahah, maldito tempo.
o tempo de uma vida é pouco mesmo. tem que fazer tudo numa certa pressa. por isso que dizem que é desenhar sem borracha. é sem delete, pra adaptar ao tempo de hoje. não dá pra pensar muito, só pra realizar.
tenho tentado construir uma argumentação que culpa a neurose urbana por isso. é um pouco verdade. mas a culpa disso nao está só nas cidades. as cidades também foram modificadas pela mudança do paradigma mundial... e aí sim, agora estou falando da ultra-liberalização. liberalização de economia liberal, o deus-mercado mandou todo mundo calar a boca e comprar um celular novo. é através de pequeninas parcelas de individualismo que juntos construímos um mundo insano que por ser assim provoca nos seus habitantes a tal neurose urbana.
cidades são lugares estranhos de se viver. tem que ser uma espécie de bicho estranho pra viver nessa loucura. seres evoluídos espiritualmente devem ficar em casa vendo filmes e lendo livros. seres da rua são tipos complicados. alguns exus-caveiras soltos, mas também gente de muita ação. a rua, meus caros, é ação.

e eu estou cheia de ação, no calor da minha casa, tentando acalmar o cérebro.

a minha vida já não é a mesma que eu vivi antes. de pouco tempo atrás. agora não é só a cidade. é estar na rua, intererindo na paisagem, querendo mandar mensagem.

a mensagem que eu queria berrar é: acabem com essa puta dessa festa.