quarta-feira, 12 de novembro de 2008

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Ora, ora. Foi vendo outras coisas que eu me lembrei de você. Em outras ocasiões você me fez feliz, mesmo que simplesmente me deixando chorar minhas pitangas. Eu inscrevi em você algumas dores, preocupações e besteiras - dizem os "céticos"- que não levam mesmo a lugar algum. E eu caguei e andei pra você, afinal de contas, você nada mais é do que a minha imaginação querendo uma válvula de escape, uma saída de emergência.

Eu posso fazer outras coisas, conhecer outras coisas, mas é de você que eu gosto. É de saber que eu posso te contar tudo e que isso pode significar tantas coisas ou ... nada. Sua fidelidade de continuar no ar, apesar de tudo, é que me faz voltar aqui pra te dizer que "I am back to you, babe!"

Acabei voltando, dando de cara com o Will Smith. Muitas pessoas, de fato, não devem ter entendido esse filme. Mas foda-se, não é pre isso que eu vim. Fazia 4 meses ou mais até que eu não passava por aqui, nem pra deixar um alô. Em breve, acredito eu, nós receberemos visitas, outras pessoas usarão esse espaço para dizer o que lhes vem à mente. Que sejam bem-vindos os que vierem. Eu continuarei me despedaçando pra me recompor, por aqui mesmo.


A pílula de sabedoria de hoje é o registro. Hoje, ao ligar o computador, vi um vídeo que me havia sido enviado por e-mail. Chama-se "City of splendour", é de 1936. Eu vi, na verdade, uns 7 minutos de filme. Haverão mais, imagino. O Rio de Janeiro - "cidade do esplendor", na minha grotesca tradução, aparece lindo e loiro. As ruas estão limpas, há uma calma... Deu saudade desse Rio, esse Rio que eu nunca vi, nunca vivi. E como a gente pode ter saudade de algo assim? Ora, meu caro Watson, o Rio está no nosso imaginário.


Procurei no novo pai dos burros, o Google, uma definição de imaginário, mas nas duas primeiras páginas nada disso apareceu. No entanto, me foram oferecidos diversos produtos "imaginários" (?) para comprar nesses 10 segundos da pesquisa.


O Rio, como eu dizia, está no nosso imaginário. Como uma cidade bela ou feia. Maravilhosa ou perigosa, grande ou pequena, charmosa ou decadente. Mas todos nós temos uma imagem do que ele é, do que ele foi. Poucos pensamos no que podia ter sido, e por isso é fácil entender porque se perdeu pelo caminho. Quando digo isso, não me refiro à favelização. Isso é uma causa de uma questão muito mais complexa do que pretendo tratar aqui. Falo de ter perdido um caminho de identidade, de ter virado uma cidade em que as pessoas convivem de forma odiosa.


Da janela, o Pão de Açúcar - que abre com uma imagem linda o "City of splendour" me lembra que a natureza foi ... dadivosa - para ser bem clichê na adjetivação - conosco. A Baía de Guanabara, esculhambada, já fascinou muitos sonhadores. As pessoas foram buscar algo fora do místico presente natural... e se perderam.

Um comentário:

m. disse...

uma válvula de escape, mais ou menos isso.