quarta-feira, 19 de março de 2008

Praça

Já pararam para pensar nas praças do Rio de Janeiro... Muitas delas ou são cercadas (e fecham seus portões à noite) ou então estão tomadas por particulares. Por exemplo, a Praça General Osório, em Ipanema. Um pedação dela foi destinado a um restaurante próximo. Com que direito, eu me pergunto... Com que direito um particular pode se beneficiar de um ESPAÇO PÚBLICO para seus fins comerciais...
Outro dia vi na TV o caso de um prefeito de uma cidade no interior do Nordeste que "doou" a um amigo um pedaço da praça da cidade a fim de que ele construísse uma casa. E, justificando, disse não haver problema, já que não estava "incomodando ninguém".
A rua deixou de ser nosso espaço de expressão, festa, manifestação. Uma das responsáveis por isso é, sem dúvida, a violência urbana. Mas, retomando o primeiro post, a violência não é um ente imaginário. É construída, também, por nós, os "cidadãos de bem". Assim também a corrupção.
Curioso disso é na cidade do Rio, historicamente caracterizada por sua população viver nas ruas. É o botequim, a praia, a agremiação carnavalesca, a manifestação, o passeio, a vadiagem (necessitada ou escolhida). Abdicamos do nosso direito à rua, e assistimos elas serem tomadas por particulares ou moradores de rua.
Ontem, Praça XV. Um morador de rua se masturbava diante da Igreja do Carmo, Antiga Sé da cidade (recém reformada), às 3 da tarde. Ora, não quero ser carola, mas há algo de estranho nisso, não... Me chamou a atenção uma moça, com seus 25 anos de idade, que passava na direção contrária a mim. Ela não conseguiu disfarçar sua surpresa e até virou o pescoço para observar por mais alguns segundos aquela cena. O que será que ela pensou... Eu não consegui pensar em muito, observando a moça. Depois que caiu em si, retomou a postura carrancuda, agarrou a bolsa e entrou correndo numa loja.

Burrice

Burrice é não querer entender o que se lê ou vê ou, melhor dito, é procurar no mundo a justificativa para uma limitação do pensamento, colocar na boca de outros sua própria pequenez.

Polêmicas só são construtivas se há conteúdo de discussão.

Covardia é esbravejar escondido e não dar a cara à tapa para defender suas idéias.

sabe de uma coisa? tchau. tenho mais o que fazer.

Brincadeirinha



taí a foto.

agora, digam-me... onde é?

segunda-feira, 17 de março de 2008

a imagem não está entrando. não sei porque. esse negócio de blog tem alguém que ajude a gente? acho que não, né? estamos à deriva do mar informacional.

Ainda não é outono?

Que dia acaba o verão? Já estamos no outono? Alguma leve lembrança da infância e dos estudos sociais na escola me diz que não. Ainda estamos no verão, acho que até sexta-feira. Um blog da "catiguria" do meu não pôde ficar sem essa informação e consultei o pai dos perdidos, o Google.

A estação do outono inicia-se 02h48 do dia 20 de março de 2008 . Sendo uma estação de transição entre o verão e inverno, verificam-se características de ambas, ou seja, mudanças rápidas nas condições de tempo, maior freqüência de nevoeiros e registros de geadas em locais serranos das Regiões Sudeste e Sul. (fonte:http://www.cptec.inpe.br/clima/estacoes/outono/outono.shtml)

Antigamente se dizia que o dicionário era o pai dos burros. Grande injustiça! Na verdade, quem consulta dicionário é na verdade inteligente. Mas dicionário é coisa do século passado. Hoje ninguém quer saber de se comunicar decentemente. "Você entendeu, não entendeu?" e quem tentou algo mais do que receber uma mensagem ficou chupando dedos. Hoje, qualquer coisa que você queira saber, procura no Google. Não que ele vá te dizer a verdade, mas como já diria uma figura conhecida e perigosa do século passado, "uma mentira repetida mil vezes vira verdade". O Google é assim. Se muita gente viu aquela página, ela vira uma das primeiras da lista. Vira A FONTE pra muita gente.

Eu confio no CPTEC - centro de previsão do tempo e estudos climáticos. Não para me dizer se vai de fato chover, mas pelo menos para me dizer que até quinta-feira é outono. Então tá bom, isso explica que as nuvens estão ficando mais baixas (ou será poluição?). Aproveito para postar uma imagem da cidade do Rio, tirada por mim, de um ângulo privilegiado, num dia desses de nevoeiro. Ou, como acho mais simples de pensar, de dia branco.

É uma brincadeira. Eu coloco a foto e alguém (um dos meus leitores, hahaha) me diz onde é esse lugar, e de onde se está olhando. Vamos brincar de perspectiva, que tal? Pode render frutos, não?

quinta-feira, 13 de março de 2008

Caro anônimo.

Só para elucidar.
1)Eu não disse que o Xexéo mora no Leblon, embora não soubesse seu endereço. Caso não tenha ficado claro, esclareço. A referência ao Xexéo é porque ele escreve de dentro da bolha, e o Leblon é só um dos muitos endereços contidos dentro da bolha;
2) Se sua vizinha mora no Leblon, você mora também. Você não é tão anônimo assim.
3) Repetindo a mim mesma, a bolha é mais cerebral que geográfica. O fato de que porteiros e garçons passem pelo Leblon ou até vivam aí não muda em nada a desigualdade e indiferença em que vivemos. Aliás, só a torna visível.

Mas não se sinta ferido pelas minhas palavras. Não é o Leblon, são todos... Tenho queridíssimos amigos que moram no Leblon, e espero não deixar de frequentá-los por isso. Outra característica pós-moderna é viver de uma forma a teoria e outra, infeliz, a experiência.

Hoje, querido anônimo, não fui trabalhar. Fui ao Jardim Botânico. Queria ter ficado um pouco mais lá. Realmente muito agradável. Imagine, anônimo, o JB há duzentos anos atrás. Sabe o que eu descobri... os chineses!!! A primeira leva de imigração chinesa foi ordenada por Dom João VI que, interessado em cultivar no Jardim Botânico plantas asiáticas, mandou vir os chineses que se instalaram... tcharam, na Vista Chinesa!

Andando e aprendendo. O Jardim Botânico dá vontade de morar lá dentro. Uma bolha linda, toda verde dentro da bolhona.

Hoje tive ainda uma demonstração da gentileza que ainda existe (pasmada estou eu) ! Um senhor me emprestou seu chaveiro Zona Sul e obtive um desconto de R$ 3, 61. A moça do caixa, muito gentil, fez questão de me mostrar o valor do desconto. Agora eu tenho meu cartão Zona Sul também. Viu, anônimo, não sou tão estranha assim. E viu, o senhorzinho da fila, o mundo não está 100% perdido. Só uns 95%.

Datas, Xexeo e menarca

Há 7 anos atrás, foi meu primeiro dia de aula na faculdade. É, eu tenho uma mania estranha de guardar datas. Mas, decididamente, não foi por isso que eu fiz História. Eu só guardo datas por mania mesmo, pra poder dizer coisas do tipo "faz tantos anos que aconteceu tal coisa". Sei a data de eventos como o dia da minha primeira menstruação. 6 de setembro de 1995. Uau, agora meus 4 leitores (de ontem pra hoje já acho um bom número!) também já sabem.... Opa, estou parecendo alguém, alguém famoso. Tem alguém que fala assim, será o Xexéo.

Pois é, olha ele aí de novo, o Xexéo. Quando eu estava no antigo 2º grau (que já se chamava, teoricamente, Ensino Médio), queria ser jornalista. Sonhava ter a vida do Xexéo, escrever como ele, escrever sobre as coisas da televisão, do jornal, falar mal do Governador, etc. E minhas amigas me incentivavam, que um dia abririam O Globo e lá estaria eu, a Xexéo dos anos 2000.

Rárárá Como tudo é engraçado. A faculdade, há 7 anos atrás, mudou tudo. Acabei virando jornalista sim, meio sem querer querendo, igual ao Chaves (Não o Hugo, mas o Chispirito). Aí é que está. Não sei se foi a faculdade ou se foi o tempo. Provavelmente os dois, e combinados. O tempo passando enquanto eu pensava no tempo passando.

Eu não quero mais ser o Xexéo. Deus me livre, na verdade. Não que eu não ache ele um cara legal. Queria encontrar ele na rua e saber se ele é legal como parece na coluna. Mas o Xexéo vive num mundo em que eu escolhi não viver. Peço desculpa a um dos meus leitores (sei que ele vai ler, porque ele me dá o maiorrrapoio), mas eu não me sinto muito bem no Leblon. Não que eu não ache um lugar bonito, com coisas boas pra fazer. Sem dúvida é. Já passei belas madrugadas na Pizzaria Guanabara (quando ainda só tinha uma). Quando tinha meus 15 anos, gostava de sair da analista e andar pela Ataulfo de Paiva, etc. Mas eu não faço parte daquilo ali. Eu não consigo me sentir muito bem de estar ali, pensando em todo o resto do mundo.

Coitado do Leblon. É só um bairro, e eu estou culpando-o pela desigualdade social. Eu não poderia ser o Xexéo, porque em um dado momento eu percebi que, apesar de ser legal, gente-boa, o Xexéo se restringe. Não sei se ele pensa em questões maiores como eu gostaria de pensar. Não sei se de repente ele pensa, mas para manter sua coluna na revista O Globo ele não escreve. Pois é... A questão é que, depois de 7 anos, eu raramente vou ao Leblon, não sonho em ser o Xexéo e estou aqui, escrevendo coisas meio perdidas num mar de informações excessivas (e por isso sem sentido nenhum). A culpa não é do Xexéo, nem do Leblon, talvez um pouquinho do Manoel Carlos, mas fundamentalmente de nós, que não conseguimos enxergar pra fora da bolha.

Como o Truman, no filme "O Show de Truman". Todo mundo viu, né... Era com o Jim Carey quando ele era só "engraçado". Pois então, quando ele vai com seu barquinho (lembrem-se da Península Ibérica) até o limite do estúdio de televisão e descobre que o céu não é um céu, mas uma redoma... Que trágico e fascinante! Nós vivemos numa bolha. Eu também vivo. E sou mais ácida, dura, intransigente e gosto menos do Xexéo porque eu me sinto como se eu tivesse feito toc! toc! com o punho cerrado na redoma que nos protege.

Estou escrevendo por ter medo de vir com um porrete para quebrar essa bolha. Mas talvez essa redoma não seja de um vidro grosso, impenetrável, à prova de balas como querem os mais assustados com a violência urbana. Talvez seja de bolha de sabão. O duro mesmo é a dor que se sente se você sai de um charmosíssimo café no Leblon e vai dar uma volta em qualquer subúrbio (sub-urbe). É estranho, não...

Mas a bolha é simbólica. Ela é cerebral. Quem vive nela não consegue nem sentir essa dor, porque simplesmente nunca cruza essa margem.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Olá ninguém!


Disseram-me que eu poderia escrever um blog e não ter preocupação com o efeito disso. Blog é assim, né... Não necessariamente alguém lê. Ou ninguém lê, nem quem escreve.
Escrever é registrar, claro, mas é também desabafar angústias, torná-las exteriores ao pensamento de uma pessoa. Verborrágicos são mais felizes escrevendo. Ver os pensamentos virando caracteres dá uma responsabilidade interessante.
Urbanóicos somos nós, os paranóicos da cidade. Metrópoles, cidades grandes, médias, pequenas... A cidade é uma construção paranóica. É a convivência coletiva quer queira ou não. Cidades pós-modernas estão cheias de paranóias. E eu não estou falando só da violência, do medo como entidades extra-humanas. Os jornais e a "opinião pública" (o que é mesmo isso...) falam da violência, por exemplo, como se fosse algo exterior ao homem, como se não fosse uma criação humana, como se fosse algo que acontece simplesmente, como se nós não fôssemos, no mais íntimo das nossas ações, violentos.
Mas eu também não vim aqui pra falar da violência e engrossar o coro do medo. Vim falar das pessoas urbanóicas, gente que eu vejo na rua e fico imaginando quem são, onde moram, do que gostam, o que pensam. Reservo-me escrotamente o direito de atribuir-lhes pensamentos, já que eu não posso perguntar-lhes o que pensam sobre a globalização, por exemplo. Outra palavra que se tornou chula, essa tal globalização.
Não me veio agora nada de interessante pra dizer. Talvez nada disso mesmo seja interessante. Mas como estou falando com você, o ninguém, posso ficar à vontade. O blog de um amigo falou outro dia da pastelaria chinesa. Como os chineses chegam ao Rio de Janeiro e outras cidades ocidentais, essa é minha pergunta. Aqui há pastelarias, mas em outras cidades, o ramo "preferido" dos chineses são os mini-mercados. Como deve ser para os chineses viver num lugar em que não entendem os letreiros... Fácil pensar que é como o contrário, ora, imaginar-se vivendo na China. Mas nós sabemos que os chineses que migram em grandes levas parao Brasil - assim como outros países - vêm em busca de uma nova vida fora da China.
Nós sabemos que os chineses costumam viver entre si, desenvolvendo escassos laços com nós, ocidentais. São treinados para perguntar queijo ou carne e cobrar o módico valor do pastel com refresco açucarado. Mas, o que mais nós sabemos deles... Onde moram os chineses das pastelarias...
Eu tive uns vizinhos chineses. Tinha medo deles. Nada especificamente contra a China, eu só me angustiava de pegar o elevador com eles durante 12 andares sem entender o que eles diziam. E se estivesse falando de mim... Eles tinham um negócio caseiro de pirataria de cd. Acho que ajudava na renda, já que o responsável pela clonagem dos disquinhos era um rapaz de seus 20 anos na época que tinha uma deficiência física, pernas muito fininhas e frágeis que o impossibilitavam de andar. Vivia na cama ou sentado numa cadeira, no PC o dia inteiro produzindo o complemento da renda.
Complemento da renda foi idéia minha. Eu não soube nunca muito dos chineses-vizinhos. Tudo o que soube foi informado pela minha mãe, que um dia entrou no apartamento deles para resolver um problema de infiltração que vinha da nossa casa. Não conhecemos nossos vizinhos. Que óbvio é dizer isso. Mas como a gente se esquece de que essa obviedade nos transforma em monstros sorridentes. Temos medo dos vizinhos, não os queremos em nossas vidas, não falamos nada além de bom dia ou boa noite no elevador.
E os chineses, figuras tão curiosas no cenário urbano, são tão distantes. Nós comemos o pastel chinês com refresco de maracujá e nos contentamos com isso. Ficamos satisfeitos com carboidrato e açúcar por menos que uma passagem de ônibus, mas ficamos incomodados quando ouvimos que "os produtos brasileiros são menos competitivos que os da China no mercado internacional de exportação".
Talvez porque não sabemos como os chineses trabalham, não sabemos nada deles. Não sabemos nem o que eles sabem da gente. Os chineses estão na paisagem, como se não fossem humanos. Aliás, não só nos chineses, mas todos aqueles que são os "outros", isto é, aqueles que não são iguais a nós.
Mas aí vem outra pergunta. Nós, quem somos nós mesmo...