quinta-feira, 13 de março de 2008

Datas, Xexeo e menarca

Há 7 anos atrás, foi meu primeiro dia de aula na faculdade. É, eu tenho uma mania estranha de guardar datas. Mas, decididamente, não foi por isso que eu fiz História. Eu só guardo datas por mania mesmo, pra poder dizer coisas do tipo "faz tantos anos que aconteceu tal coisa". Sei a data de eventos como o dia da minha primeira menstruação. 6 de setembro de 1995. Uau, agora meus 4 leitores (de ontem pra hoje já acho um bom número!) também já sabem.... Opa, estou parecendo alguém, alguém famoso. Tem alguém que fala assim, será o Xexéo.

Pois é, olha ele aí de novo, o Xexéo. Quando eu estava no antigo 2º grau (que já se chamava, teoricamente, Ensino Médio), queria ser jornalista. Sonhava ter a vida do Xexéo, escrever como ele, escrever sobre as coisas da televisão, do jornal, falar mal do Governador, etc. E minhas amigas me incentivavam, que um dia abririam O Globo e lá estaria eu, a Xexéo dos anos 2000.

Rárárá Como tudo é engraçado. A faculdade, há 7 anos atrás, mudou tudo. Acabei virando jornalista sim, meio sem querer querendo, igual ao Chaves (Não o Hugo, mas o Chispirito). Aí é que está. Não sei se foi a faculdade ou se foi o tempo. Provavelmente os dois, e combinados. O tempo passando enquanto eu pensava no tempo passando.

Eu não quero mais ser o Xexéo. Deus me livre, na verdade. Não que eu não ache ele um cara legal. Queria encontrar ele na rua e saber se ele é legal como parece na coluna. Mas o Xexéo vive num mundo em que eu escolhi não viver. Peço desculpa a um dos meus leitores (sei que ele vai ler, porque ele me dá o maiorrrapoio), mas eu não me sinto muito bem no Leblon. Não que eu não ache um lugar bonito, com coisas boas pra fazer. Sem dúvida é. Já passei belas madrugadas na Pizzaria Guanabara (quando ainda só tinha uma). Quando tinha meus 15 anos, gostava de sair da analista e andar pela Ataulfo de Paiva, etc. Mas eu não faço parte daquilo ali. Eu não consigo me sentir muito bem de estar ali, pensando em todo o resto do mundo.

Coitado do Leblon. É só um bairro, e eu estou culpando-o pela desigualdade social. Eu não poderia ser o Xexéo, porque em um dado momento eu percebi que, apesar de ser legal, gente-boa, o Xexéo se restringe. Não sei se ele pensa em questões maiores como eu gostaria de pensar. Não sei se de repente ele pensa, mas para manter sua coluna na revista O Globo ele não escreve. Pois é... A questão é que, depois de 7 anos, eu raramente vou ao Leblon, não sonho em ser o Xexéo e estou aqui, escrevendo coisas meio perdidas num mar de informações excessivas (e por isso sem sentido nenhum). A culpa não é do Xexéo, nem do Leblon, talvez um pouquinho do Manoel Carlos, mas fundamentalmente de nós, que não conseguimos enxergar pra fora da bolha.

Como o Truman, no filme "O Show de Truman". Todo mundo viu, né... Era com o Jim Carey quando ele era só "engraçado". Pois então, quando ele vai com seu barquinho (lembrem-se da Península Ibérica) até o limite do estúdio de televisão e descobre que o céu não é um céu, mas uma redoma... Que trágico e fascinante! Nós vivemos numa bolha. Eu também vivo. E sou mais ácida, dura, intransigente e gosto menos do Xexéo porque eu me sinto como se eu tivesse feito toc! toc! com o punho cerrado na redoma que nos protege.

Estou escrevendo por ter medo de vir com um porrete para quebrar essa bolha. Mas talvez essa redoma não seja de um vidro grosso, impenetrável, à prova de balas como querem os mais assustados com a violência urbana. Talvez seja de bolha de sabão. O duro mesmo é a dor que se sente se você sai de um charmosíssimo café no Leblon e vai dar uma volta em qualquer subúrbio (sub-urbe). É estranho, não...

Mas a bolha é simbólica. Ela é cerebral. Quem vive nela não consegue nem sentir essa dor, porque simplesmente nunca cruza essa margem.

3 comentários:

Anônimo disse...

Olhaquí:
1. O XEXÉO mora em Copa, no Bairro Peixoto, mais precisamente.
2. Minha vizinha, da quinta, mora no Leblon.
3. O Leblon tem a Cruzada, o Vidigal, logo ali e por lá passam dezenas, talvez centenas, de porteiros e garçons diariamente.
4. Hoje é quinta.

Anônimo disse...

xiii fechou o tempo entre a paranóica e o anônimo!!!

Anônimo disse...

aquo que o anônimo tá querendo...