quarta-feira, 12 de novembro de 2008

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Ora, ora. Foi vendo outras coisas que eu me lembrei de você. Em outras ocasiões você me fez feliz, mesmo que simplesmente me deixando chorar minhas pitangas. Eu inscrevi em você algumas dores, preocupações e besteiras - dizem os "céticos"- que não levam mesmo a lugar algum. E eu caguei e andei pra você, afinal de contas, você nada mais é do que a minha imaginação querendo uma válvula de escape, uma saída de emergência.

Eu posso fazer outras coisas, conhecer outras coisas, mas é de você que eu gosto. É de saber que eu posso te contar tudo e que isso pode significar tantas coisas ou ... nada. Sua fidelidade de continuar no ar, apesar de tudo, é que me faz voltar aqui pra te dizer que "I am back to you, babe!"

Acabei voltando, dando de cara com o Will Smith. Muitas pessoas, de fato, não devem ter entendido esse filme. Mas foda-se, não é pre isso que eu vim. Fazia 4 meses ou mais até que eu não passava por aqui, nem pra deixar um alô. Em breve, acredito eu, nós receberemos visitas, outras pessoas usarão esse espaço para dizer o que lhes vem à mente. Que sejam bem-vindos os que vierem. Eu continuarei me despedaçando pra me recompor, por aqui mesmo.


A pílula de sabedoria de hoje é o registro. Hoje, ao ligar o computador, vi um vídeo que me havia sido enviado por e-mail. Chama-se "City of splendour", é de 1936. Eu vi, na verdade, uns 7 minutos de filme. Haverão mais, imagino. O Rio de Janeiro - "cidade do esplendor", na minha grotesca tradução, aparece lindo e loiro. As ruas estão limpas, há uma calma... Deu saudade desse Rio, esse Rio que eu nunca vi, nunca vivi. E como a gente pode ter saudade de algo assim? Ora, meu caro Watson, o Rio está no nosso imaginário.


Procurei no novo pai dos burros, o Google, uma definição de imaginário, mas nas duas primeiras páginas nada disso apareceu. No entanto, me foram oferecidos diversos produtos "imaginários" (?) para comprar nesses 10 segundos da pesquisa.


O Rio, como eu dizia, está no nosso imaginário. Como uma cidade bela ou feia. Maravilhosa ou perigosa, grande ou pequena, charmosa ou decadente. Mas todos nós temos uma imagem do que ele é, do que ele foi. Poucos pensamos no que podia ter sido, e por isso é fácil entender porque se perdeu pelo caminho. Quando digo isso, não me refiro à favelização. Isso é uma causa de uma questão muito mais complexa do que pretendo tratar aqui. Falo de ter perdido um caminho de identidade, de ter virado uma cidade em que as pessoas convivem de forma odiosa.


Da janela, o Pão de Açúcar - que abre com uma imagem linda o "City of splendour" me lembra que a natureza foi ... dadivosa - para ser bem clichê na adjetivação - conosco. A Baía de Guanabara, esculhambada, já fascinou muitos sonhadores. As pessoas foram buscar algo fora do místico presente natural... e se perderam.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Solidão+metrópole


Foi esse um dos resultados dea busca "solidão+metrópole" nas imagens do Google.
Bom resultado. Bom filme, apesar do final hollywood de quinta.
Depois eu comento dele. Temos muito o que conversar sobre o Eu sou a lenda. Já nas locadoras... eu acho.

Não há recados na sua caixa postal.

Continuo sem leitores. Ou pelo menos sem leitores que ajam como interlocutores. Ainda não há recados na minha caixa postal e não há e-mails de pessoas que querem muito conversar comigo.

Bem vindo ao mundo metropolitano pós-moderno.

Amizades são vendidas à vista. Meia-entrada para estudante ou maior de 65 anos. Amizades não precisam ser vendidas à prazo, afinal de contas elas valem tão pouco que é possível pagar no ato.

E quais atos....

Hoje estou exorcizando você. É a primeira sessão de exorcismo. Você me deixou com mais uma ferida nesse mundo-cão. Daí de dentro da sua bolha você me feriu. Justamente com esse seu jeito "profissional" de ser. Você me provou por a+b que quase nada hoje tem valor mesmo. Mas é a frieza do seu jeito de fazer isso que mais me chocou.

Vai com Deus. Que a dureza da vida venha te rasgando. Que ela faça um talho nessa sua bolha de sabão gigante. Feita mesmo de detergente. Esse detergente que vocÊ engoliu a vida toda pra diliuir a sua dor. Porque você nunca teve mesmo coragem de encarar as porras todas de frente.

You´re so vain. Eu realmente estou muito orgulhosa de tentar encarar. Dói. Dói que só a porra... A gente se torna duro encarando a vida. É como uma crosta no pé ou as bolhas da mão de um peão. São as marcas que nos tornaram mais fortes.

Eu espero que você passe por todas essas dores e todas essas caleijadas. Não por desejar o teu mal, sinceramente não o faço. Mas pra que vocÊ cresça de uma vez por todas.

Ela estava saindo do cinema, um domingo à noite. Sua mãe estava em casa vendo o Faustão; too depressing. Uma mulher perambulando os points cult-bacaninhas só pra observar aquela gente. Por que diabos (americanismo....) ela se torna invisível pra si mesma... Por que caralhos-voadores ela acha que precisa de fato da rede do trapezista.

Dependendo do peso, não há rede que aguente. Dependendo da rede, passa uma pluma.

sábado, 21 de junho de 2008

Sangue na neve, 1960

Dessa vez eu já consegui 90 graus. Que avanço!
Flexão. Tenho pensado muito nessa idéia, embora reduzi-la agora a esta palavra tenha parecido muito estranho. Qual é o valor da flexibilidade...

Motoramente, enorme. Seres humanos, assim como outros animais vertebrados, movimentam seus membros a partir de complexas estrutras articuladas. Essas estruturas articuladas desenvolvem flexões, isto é, elas se flexionam em diferentes graus. A recuperação do arco de flexibilidade parece ser uma tarefa um pouco lenta mesmo. O interessante dessa velocidade anti-pós-moderna é, ao mesmo tempo, seu problema. À medida que se anda mais devagar, os passos tendem a ser um pouco mais firmes. Mas como mensurar essa firmeza... Como saber se estamos caminhando, firmemente, para o lado certo...

Ser uma pessoa flexível é muito fácil para alguns, enquanto que para outros é muito difícil. Falando de identidade na mesa do bar, sabe-se que hoje o ser humano está ávido por ter uma identidade e empenha-se fortemente em defendê-la. Ora, mas se as identidades estão à venda num grande super-mercado social, qual é o valor de se ter e de se defender uma identidade.

Afinal de contas, o que é valor....

Costumava-se associar a palavra valor a comportamentos éticos. Uma pessoa, então, seria de valor caso cumprisse com algumas atitudes esperadas pela comunidade, pela sociedade, etc. Essa comunidade, e também as sociedades, previam certos comportamentos diante de certas situações. Ora, é claro que isso também era um gerador de conflito, afinal, quem determinava esses comportamentos... em que medida eles poderiam ser alterados....

Hoje assisti a um filme de 1960. "Sangue na neve". O nome parecia ser de suspense, ou serial killer, mas não era nada disso. Posso dizer que era praticamente antropológico. Contava a história de um esquimó, Inuk, se não me engano. Inuk vivia feliz e contente entre seus companheiros esquimós. Quando o caçador seu competidor leva a mulher que ele tinha escolhido para ser sua esposa, Inuk sai numa odisséia que me pareceu quase suicida, mas nada demais para um esquimó.

Que estranhos sempre me pareceram os esquimós. Vivendo num lugar onde não era para ser habitado por humanos, morando em casas de gelo, comendo carne crua. Hoje eles me pareceram um pouco diferentes, muito influenciada pela bela atuação de Anthony Quinn na flor da idade e do físico.

Quando encontra seu opositor, Inuk negocia a troca de esposas. Ele tinha levado a outra moça e a mãe para trocar. Inuk não parecia muito decidido. Haviam lhe dito que ser decidido era importante, porque um homem precisava de uma esposa.

Segundo minha observação, a esposa do esquimó, entre outras funções de caça, é uma companheira que esquenta os pés do seu caçador na sua própria pele. Você consegue imaginar o frio que é isso... Depois de uma certa confusão, Inuk resolve ficar com a que havia lhe acompanhado por 4 mudanças de sol (imagino que sejam 4 dias) na neve tremenda. Eles ficam felizes, até que, quando estão caçando um urso polar, um outro esquimó mata o urso com uma espingarda.

Os esquimós não conheciam espingarda. Descobrem, após uma breve exposição, que podem trocar peles de raposas por uma arma no posto de comércio dos homens brancos. E assim vai.

A esposa de Inuk, que se refere a si mesma como mulher tola mas é na verdade, muito inteligente, percebe que os homens brancos são ou muito burros ou malucos. E alerta: se forem malucos, é melhor irmos embora, porque a maluquice está pegando.

Inuk vai embora atrás de sua mulher, mas quer voltar pra comprar as balas da espingarda. Nesse meio tempo, num incidente, acaba matando um padre que tinha ido pregar a palavra do Senhor para os esquimós. Eles não entendem quem é o Senhor, e se ofendem porque o padre não come a carne velha com larvas ( a iguaria esquimó) e rejeita "rir" com a esposa de Inuk. (rir, em esquimó, é sexo. A esposa é emprestada como uma forma de cordialidade ao visitante).

Inuk não conhece a lei dos brancos. Inuk é preso por dois homens brancos, mas mesmo assim salva a vida de um deles no deserto branco de neve. Inuk chega ao fim do filme e pergunta a sua mulher "o que nós fizemos pra eles"...

Inuk, embora ofereça sua mulher a um estranho, embora coma carne com larvas, embora todas as coisas estranhas ao olhar pouco antropológico, é um sujeito de valor. Ele respeita as leis que sua comunidade criou, e não compreende o formalismo burocrático do homem branco.

Inuk não foi flexível. Isso provavelmente nem existe em seu vocabulário. Inuk, como os esquimós e grande parte da humanidade, hoje não existe enquanto forma de manifestação. Ser flexível é a ordem do dia, mas não tanto aquela que permite às articulações do corpo seu movimento. É uma flexibilidade de pensamento, uma forma de ser mutável, de não ter compromisso.

O mundo de Inuk em nada se parece ao meu, ou a do meu alter-ego interpretado pelo Sean Penn. Enquanto tento me agarrar em algum pensamento rígido que me diga como viver, eu não sei simplesmente o que sentir.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

A rua

" A rua nasce, como o homem, do soluço, do espasmo. Há suor humano na argamassa do seu calçamento. Cada casa que se ergue é feita do esforço exaustivo de muitos seres, e haveis de ter visto pedreiros e canteiros, ao erguer as pedras para as frontarias, cantarem, cobertos de suor, uma melopéia tão triste que pelo ar parece um arquejante soluço. A rua sente nos nervos essa miséria de criação e por isso é a mais igualitária, a mais socialista, a mais niveladora das obras humanas. A rua criou todas as blagues e todos os lugares-comuns (...)".

Isso, baby, é João do Rio, em " A alma encantadora das ruas". Ponto de partida e de chegada deste blog que mais parece uma blague.

não

não tem ninguém aqui, pelo menos agora. estou de férias de mim mesma e da cidade. já são 3 dias dentro de casa, literalmente sem botar o nariz na rua. não quero notícias a não ser as produzidas por mim (dessas não posso fugir). estou de greve, de licença, de férias, de sacanagem. já maldisse o tempo, como eu gosto de fazer. já me publiquei por aí, tô a fim de me publicar aqui também. me tornar assim, modernamente, disponível para apreciação pública. não leiam ou leiam, não faz a mínima diferença. só vim aqui arrotar esse descontentamento e extirpar essa pereba intelectual. só vim aqui cuspir na sua cara que ninguém agrada o tempo todo. nem eu nem você. só vim te espinafrar, dizer que você vale tanto como público como eu enquanto atração principal do show. chega de coisinhas bonitas, está chovendo e eu quero que tudo vá tomar no cú. aí você vai dizer que eu estava nervosinha, que eu devia fazer ioga. nada que eu diga ou faça retardará muito a grande verdade que se aproxima.

sábado, 3 de maio de 2008

Globalitarismo.

Estou tentando vender o peixe do filme. Mas tá difícil criar uma frase de efeito. Vamos pela sinceridade. O trailer dura 1 minuto e 57 segundos. Rapidinho. Se você se interessar, veja o filme.
Milton Santos pode funcionar como um nome brilhante num painel luminoso. Talvez ainda Silvio Tendler. Desde que você assista ao filme, ou pelo menos ao trailer, já está valendo. É o novo paradigma que assola nossas vidas e nem nos faz sentir.

http://www.youtube.com/watch?v=IzTjR_X47pc

Leia também: A corrosão do caráter, de Richard Sennett e Globalização: as consequências humanas, de Zigmunt Baumann. Ou continue lendo O GLOBO, a Veja, mas tente fazê-lo de outra perspectiva.

nada

é tanta coisa na cabeça que eu não quero nada. vamos flexiblizar,vamos reintentar, vamos tornar proativo. ah, vá se fuder... me dá vontade de dizer. epa! sou eu mesma quem estou dizendo isso. escrevo essa viagem faltando quinze pras 2 da matina. na baía de guanabara um saveiro-festeiro toca funk no maior volume, estou ouvindo aqui de casa. meus pensamentos ficam ainda mais confusos, fico ainda mais agitada, não consigo parar de me comunicar. fiquei quase 4 horas no telefone, falando sem parar. eu não relaxo. bloqueio mental de tanto pensar. e aí a gente fica mais frio. no rio de janeiro, 18 graus.
amplitude térmica alta... é o outono carioca. não vejo muitas folhas caindo... são mais as idéias, derramando-se aos borbotões, sendo desperdiçadas no vento da falta dele. hahah, maldito tempo.
o tempo de uma vida é pouco mesmo. tem que fazer tudo numa certa pressa. por isso que dizem que é desenhar sem borracha. é sem delete, pra adaptar ao tempo de hoje. não dá pra pensar muito, só pra realizar.
tenho tentado construir uma argumentação que culpa a neurose urbana por isso. é um pouco verdade. mas a culpa disso nao está só nas cidades. as cidades também foram modificadas pela mudança do paradigma mundial... e aí sim, agora estou falando da ultra-liberalização. liberalização de economia liberal, o deus-mercado mandou todo mundo calar a boca e comprar um celular novo. é através de pequeninas parcelas de individualismo que juntos construímos um mundo insano que por ser assim provoca nos seus habitantes a tal neurose urbana.
cidades são lugares estranhos de se viver. tem que ser uma espécie de bicho estranho pra viver nessa loucura. seres evoluídos espiritualmente devem ficar em casa vendo filmes e lendo livros. seres da rua são tipos complicados. alguns exus-caveiras soltos, mas também gente de muita ação. a rua, meus caros, é ação.

e eu estou cheia de ação, no calor da minha casa, tentando acalmar o cérebro.

a minha vida já não é a mesma que eu vivi antes. de pouco tempo atrás. agora não é só a cidade. é estar na rua, intererindo na paisagem, querendo mandar mensagem.

a mensagem que eu queria berrar é: acabem com essa puta dessa festa.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Tempo puto

Hoje recebi uma notícia confusa. Fui convocada para assumir uma vaga de professora. Que beleza, não... Foi tudo que esperei por quase um ano. Mas o tempo, esse tempo puto, essa falta de controle sobre o tempo. Eu não vou assumir. Não tenho tempo. Corro desesperadamente pra ter tempo, e porque corro nunca tenho tempo. Não queria não assumir. Queria pausar o tempo e poder me dedicar a cada vontade de uma vez. O que é isso senão vontade... de experimentar o novo, sair da neurose urbana, viver uma vidinha pacata de interior. Maldito puto tempo. Quantos de nós não têm, como eu, sonhos e vontades de interior, de cidade média, deixar de ter medo, caminhar pela cidade, etc. Não, a mim não me cabe isso agora. Não será dessa vez, ainda serei escrava do tempo urgente da metrópole. Ainda vou correr mais um pouco, de um lado para o outro, de um tempo para outro.
Tenho buscado paixões arrebatadoras. Escrever, escrever, escrever. Se eu não fosse tão preguiçosa, se eu não achasse que não dá mais tempo.... eu vivia de escrever. Ei, mas peraí, acabei de me lembrar, eu vivo de escrever. Se eu achasse que tenho mais tempo, escrevia mais. É a paixão que eu tenho buscado, é o conforto que nunca vai me deixar, mesmo quando eu estiver mais na merda. A escrita, diferentemente de outras artes, é especializada. Só quem conhece a língua, a linguagem e a escrita pode me compreender. Artezinha de merda essa. Se ei estivesse numa rodinha de violão talvez me entendessem mais. Não estou. Não tenho tempo pra isso.

Tempo, tempo, tempo, tempo. Enquanto escrevo, não tenho tempo, não dá mais tempo. Já é sexta-feira, já passam das 11, tenho que ir no banco, trabalhar, vender meu peixe, tenho que opinar, que amar, que conversar, socializar. Não dá mais tempo. Vamos adiando: sonhos, projetos, anseios, vamos jogando pra depois as viagens, as brincadeiras, aniversários.

Não dá mais tempo. Hora de morfar. Quando dizem que tempo é dinheiro, eu não sei o que é pior. Mas só dá pra se adaptar a esses tempos pós-modernos quando essa frase faz sentido. Que cú. Time is money, beibi! E eu aqui, fazendo você perder seu tempo. Vai embora que eu hoje tô com a macaca. Quanto mais irritada fico com a falta de tempo, mais inerte fico. Até outra hora, se eu tiver tempo.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Praça

Já pararam para pensar nas praças do Rio de Janeiro... Muitas delas ou são cercadas (e fecham seus portões à noite) ou então estão tomadas por particulares. Por exemplo, a Praça General Osório, em Ipanema. Um pedação dela foi destinado a um restaurante próximo. Com que direito, eu me pergunto... Com que direito um particular pode se beneficiar de um ESPAÇO PÚBLICO para seus fins comerciais...
Outro dia vi na TV o caso de um prefeito de uma cidade no interior do Nordeste que "doou" a um amigo um pedaço da praça da cidade a fim de que ele construísse uma casa. E, justificando, disse não haver problema, já que não estava "incomodando ninguém".
A rua deixou de ser nosso espaço de expressão, festa, manifestação. Uma das responsáveis por isso é, sem dúvida, a violência urbana. Mas, retomando o primeiro post, a violência não é um ente imaginário. É construída, também, por nós, os "cidadãos de bem". Assim também a corrupção.
Curioso disso é na cidade do Rio, historicamente caracterizada por sua população viver nas ruas. É o botequim, a praia, a agremiação carnavalesca, a manifestação, o passeio, a vadiagem (necessitada ou escolhida). Abdicamos do nosso direito à rua, e assistimos elas serem tomadas por particulares ou moradores de rua.
Ontem, Praça XV. Um morador de rua se masturbava diante da Igreja do Carmo, Antiga Sé da cidade (recém reformada), às 3 da tarde. Ora, não quero ser carola, mas há algo de estranho nisso, não... Me chamou a atenção uma moça, com seus 25 anos de idade, que passava na direção contrária a mim. Ela não conseguiu disfarçar sua surpresa e até virou o pescoço para observar por mais alguns segundos aquela cena. O que será que ela pensou... Eu não consegui pensar em muito, observando a moça. Depois que caiu em si, retomou a postura carrancuda, agarrou a bolsa e entrou correndo numa loja.

Burrice

Burrice é não querer entender o que se lê ou vê ou, melhor dito, é procurar no mundo a justificativa para uma limitação do pensamento, colocar na boca de outros sua própria pequenez.

Polêmicas só são construtivas se há conteúdo de discussão.

Covardia é esbravejar escondido e não dar a cara à tapa para defender suas idéias.

sabe de uma coisa? tchau. tenho mais o que fazer.

Brincadeirinha



taí a foto.

agora, digam-me... onde é?

segunda-feira, 17 de março de 2008

a imagem não está entrando. não sei porque. esse negócio de blog tem alguém que ajude a gente? acho que não, né? estamos à deriva do mar informacional.

Ainda não é outono?

Que dia acaba o verão? Já estamos no outono? Alguma leve lembrança da infância e dos estudos sociais na escola me diz que não. Ainda estamos no verão, acho que até sexta-feira. Um blog da "catiguria" do meu não pôde ficar sem essa informação e consultei o pai dos perdidos, o Google.

A estação do outono inicia-se 02h48 do dia 20 de março de 2008 . Sendo uma estação de transição entre o verão e inverno, verificam-se características de ambas, ou seja, mudanças rápidas nas condições de tempo, maior freqüência de nevoeiros e registros de geadas em locais serranos das Regiões Sudeste e Sul. (fonte:http://www.cptec.inpe.br/clima/estacoes/outono/outono.shtml)

Antigamente se dizia que o dicionário era o pai dos burros. Grande injustiça! Na verdade, quem consulta dicionário é na verdade inteligente. Mas dicionário é coisa do século passado. Hoje ninguém quer saber de se comunicar decentemente. "Você entendeu, não entendeu?" e quem tentou algo mais do que receber uma mensagem ficou chupando dedos. Hoje, qualquer coisa que você queira saber, procura no Google. Não que ele vá te dizer a verdade, mas como já diria uma figura conhecida e perigosa do século passado, "uma mentira repetida mil vezes vira verdade". O Google é assim. Se muita gente viu aquela página, ela vira uma das primeiras da lista. Vira A FONTE pra muita gente.

Eu confio no CPTEC - centro de previsão do tempo e estudos climáticos. Não para me dizer se vai de fato chover, mas pelo menos para me dizer que até quinta-feira é outono. Então tá bom, isso explica que as nuvens estão ficando mais baixas (ou será poluição?). Aproveito para postar uma imagem da cidade do Rio, tirada por mim, de um ângulo privilegiado, num dia desses de nevoeiro. Ou, como acho mais simples de pensar, de dia branco.

É uma brincadeira. Eu coloco a foto e alguém (um dos meus leitores, hahaha) me diz onde é esse lugar, e de onde se está olhando. Vamos brincar de perspectiva, que tal? Pode render frutos, não?

quinta-feira, 13 de março de 2008

Caro anônimo.

Só para elucidar.
1)Eu não disse que o Xexéo mora no Leblon, embora não soubesse seu endereço. Caso não tenha ficado claro, esclareço. A referência ao Xexéo é porque ele escreve de dentro da bolha, e o Leblon é só um dos muitos endereços contidos dentro da bolha;
2) Se sua vizinha mora no Leblon, você mora também. Você não é tão anônimo assim.
3) Repetindo a mim mesma, a bolha é mais cerebral que geográfica. O fato de que porteiros e garçons passem pelo Leblon ou até vivam aí não muda em nada a desigualdade e indiferença em que vivemos. Aliás, só a torna visível.

Mas não se sinta ferido pelas minhas palavras. Não é o Leblon, são todos... Tenho queridíssimos amigos que moram no Leblon, e espero não deixar de frequentá-los por isso. Outra característica pós-moderna é viver de uma forma a teoria e outra, infeliz, a experiência.

Hoje, querido anônimo, não fui trabalhar. Fui ao Jardim Botânico. Queria ter ficado um pouco mais lá. Realmente muito agradável. Imagine, anônimo, o JB há duzentos anos atrás. Sabe o que eu descobri... os chineses!!! A primeira leva de imigração chinesa foi ordenada por Dom João VI que, interessado em cultivar no Jardim Botânico plantas asiáticas, mandou vir os chineses que se instalaram... tcharam, na Vista Chinesa!

Andando e aprendendo. O Jardim Botânico dá vontade de morar lá dentro. Uma bolha linda, toda verde dentro da bolhona.

Hoje tive ainda uma demonstração da gentileza que ainda existe (pasmada estou eu) ! Um senhor me emprestou seu chaveiro Zona Sul e obtive um desconto de R$ 3, 61. A moça do caixa, muito gentil, fez questão de me mostrar o valor do desconto. Agora eu tenho meu cartão Zona Sul também. Viu, anônimo, não sou tão estranha assim. E viu, o senhorzinho da fila, o mundo não está 100% perdido. Só uns 95%.

Datas, Xexeo e menarca

Há 7 anos atrás, foi meu primeiro dia de aula na faculdade. É, eu tenho uma mania estranha de guardar datas. Mas, decididamente, não foi por isso que eu fiz História. Eu só guardo datas por mania mesmo, pra poder dizer coisas do tipo "faz tantos anos que aconteceu tal coisa". Sei a data de eventos como o dia da minha primeira menstruação. 6 de setembro de 1995. Uau, agora meus 4 leitores (de ontem pra hoje já acho um bom número!) também já sabem.... Opa, estou parecendo alguém, alguém famoso. Tem alguém que fala assim, será o Xexéo.

Pois é, olha ele aí de novo, o Xexéo. Quando eu estava no antigo 2º grau (que já se chamava, teoricamente, Ensino Médio), queria ser jornalista. Sonhava ter a vida do Xexéo, escrever como ele, escrever sobre as coisas da televisão, do jornal, falar mal do Governador, etc. E minhas amigas me incentivavam, que um dia abririam O Globo e lá estaria eu, a Xexéo dos anos 2000.

Rárárá Como tudo é engraçado. A faculdade, há 7 anos atrás, mudou tudo. Acabei virando jornalista sim, meio sem querer querendo, igual ao Chaves (Não o Hugo, mas o Chispirito). Aí é que está. Não sei se foi a faculdade ou se foi o tempo. Provavelmente os dois, e combinados. O tempo passando enquanto eu pensava no tempo passando.

Eu não quero mais ser o Xexéo. Deus me livre, na verdade. Não que eu não ache ele um cara legal. Queria encontrar ele na rua e saber se ele é legal como parece na coluna. Mas o Xexéo vive num mundo em que eu escolhi não viver. Peço desculpa a um dos meus leitores (sei que ele vai ler, porque ele me dá o maiorrrapoio), mas eu não me sinto muito bem no Leblon. Não que eu não ache um lugar bonito, com coisas boas pra fazer. Sem dúvida é. Já passei belas madrugadas na Pizzaria Guanabara (quando ainda só tinha uma). Quando tinha meus 15 anos, gostava de sair da analista e andar pela Ataulfo de Paiva, etc. Mas eu não faço parte daquilo ali. Eu não consigo me sentir muito bem de estar ali, pensando em todo o resto do mundo.

Coitado do Leblon. É só um bairro, e eu estou culpando-o pela desigualdade social. Eu não poderia ser o Xexéo, porque em um dado momento eu percebi que, apesar de ser legal, gente-boa, o Xexéo se restringe. Não sei se ele pensa em questões maiores como eu gostaria de pensar. Não sei se de repente ele pensa, mas para manter sua coluna na revista O Globo ele não escreve. Pois é... A questão é que, depois de 7 anos, eu raramente vou ao Leblon, não sonho em ser o Xexéo e estou aqui, escrevendo coisas meio perdidas num mar de informações excessivas (e por isso sem sentido nenhum). A culpa não é do Xexéo, nem do Leblon, talvez um pouquinho do Manoel Carlos, mas fundamentalmente de nós, que não conseguimos enxergar pra fora da bolha.

Como o Truman, no filme "O Show de Truman". Todo mundo viu, né... Era com o Jim Carey quando ele era só "engraçado". Pois então, quando ele vai com seu barquinho (lembrem-se da Península Ibérica) até o limite do estúdio de televisão e descobre que o céu não é um céu, mas uma redoma... Que trágico e fascinante! Nós vivemos numa bolha. Eu também vivo. E sou mais ácida, dura, intransigente e gosto menos do Xexéo porque eu me sinto como se eu tivesse feito toc! toc! com o punho cerrado na redoma que nos protege.

Estou escrevendo por ter medo de vir com um porrete para quebrar essa bolha. Mas talvez essa redoma não seja de um vidro grosso, impenetrável, à prova de balas como querem os mais assustados com a violência urbana. Talvez seja de bolha de sabão. O duro mesmo é a dor que se sente se você sai de um charmosíssimo café no Leblon e vai dar uma volta em qualquer subúrbio (sub-urbe). É estranho, não...

Mas a bolha é simbólica. Ela é cerebral. Quem vive nela não consegue nem sentir essa dor, porque simplesmente nunca cruza essa margem.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Olá ninguém!


Disseram-me que eu poderia escrever um blog e não ter preocupação com o efeito disso. Blog é assim, né... Não necessariamente alguém lê. Ou ninguém lê, nem quem escreve.
Escrever é registrar, claro, mas é também desabafar angústias, torná-las exteriores ao pensamento de uma pessoa. Verborrágicos são mais felizes escrevendo. Ver os pensamentos virando caracteres dá uma responsabilidade interessante.
Urbanóicos somos nós, os paranóicos da cidade. Metrópoles, cidades grandes, médias, pequenas... A cidade é uma construção paranóica. É a convivência coletiva quer queira ou não. Cidades pós-modernas estão cheias de paranóias. E eu não estou falando só da violência, do medo como entidades extra-humanas. Os jornais e a "opinião pública" (o que é mesmo isso...) falam da violência, por exemplo, como se fosse algo exterior ao homem, como se não fosse uma criação humana, como se fosse algo que acontece simplesmente, como se nós não fôssemos, no mais íntimo das nossas ações, violentos.
Mas eu também não vim aqui pra falar da violência e engrossar o coro do medo. Vim falar das pessoas urbanóicas, gente que eu vejo na rua e fico imaginando quem são, onde moram, do que gostam, o que pensam. Reservo-me escrotamente o direito de atribuir-lhes pensamentos, já que eu não posso perguntar-lhes o que pensam sobre a globalização, por exemplo. Outra palavra que se tornou chula, essa tal globalização.
Não me veio agora nada de interessante pra dizer. Talvez nada disso mesmo seja interessante. Mas como estou falando com você, o ninguém, posso ficar à vontade. O blog de um amigo falou outro dia da pastelaria chinesa. Como os chineses chegam ao Rio de Janeiro e outras cidades ocidentais, essa é minha pergunta. Aqui há pastelarias, mas em outras cidades, o ramo "preferido" dos chineses são os mini-mercados. Como deve ser para os chineses viver num lugar em que não entendem os letreiros... Fácil pensar que é como o contrário, ora, imaginar-se vivendo na China. Mas nós sabemos que os chineses que migram em grandes levas parao Brasil - assim como outros países - vêm em busca de uma nova vida fora da China.
Nós sabemos que os chineses costumam viver entre si, desenvolvendo escassos laços com nós, ocidentais. São treinados para perguntar queijo ou carne e cobrar o módico valor do pastel com refresco açucarado. Mas, o que mais nós sabemos deles... Onde moram os chineses das pastelarias...
Eu tive uns vizinhos chineses. Tinha medo deles. Nada especificamente contra a China, eu só me angustiava de pegar o elevador com eles durante 12 andares sem entender o que eles diziam. E se estivesse falando de mim... Eles tinham um negócio caseiro de pirataria de cd. Acho que ajudava na renda, já que o responsável pela clonagem dos disquinhos era um rapaz de seus 20 anos na época que tinha uma deficiência física, pernas muito fininhas e frágeis que o impossibilitavam de andar. Vivia na cama ou sentado numa cadeira, no PC o dia inteiro produzindo o complemento da renda.
Complemento da renda foi idéia minha. Eu não soube nunca muito dos chineses-vizinhos. Tudo o que soube foi informado pela minha mãe, que um dia entrou no apartamento deles para resolver um problema de infiltração que vinha da nossa casa. Não conhecemos nossos vizinhos. Que óbvio é dizer isso. Mas como a gente se esquece de que essa obviedade nos transforma em monstros sorridentes. Temos medo dos vizinhos, não os queremos em nossas vidas, não falamos nada além de bom dia ou boa noite no elevador.
E os chineses, figuras tão curiosas no cenário urbano, são tão distantes. Nós comemos o pastel chinês com refresco de maracujá e nos contentamos com isso. Ficamos satisfeitos com carboidrato e açúcar por menos que uma passagem de ônibus, mas ficamos incomodados quando ouvimos que "os produtos brasileiros são menos competitivos que os da China no mercado internacional de exportação".
Talvez porque não sabemos como os chineses trabalham, não sabemos nada deles. Não sabemos nem o que eles sabem da gente. Os chineses estão na paisagem, como se não fossem humanos. Aliás, não só nos chineses, mas todos aqueles que são os "outros", isto é, aqueles que não são iguais a nós.
Mas aí vem outra pergunta. Nós, quem somos nós mesmo...